Com argila, um material atraente e pouco
explorado na creche, turma de 3 anos
aprende a criar peças tridimensionais
AMANDA POLATO apolato@abril.com.br
Algumas crianças sentiram a textura
lisa e macia da massa e logo começaram
a apertá-la. Outras estranharam
sua umidade, e a aproximação teve de ser
feita aos poucos. Conhecer
e explorar o material – que muitas
vezes fica fora do dia-a-dia na creche –
possibilita criar objetos tridimensionais
e, assim, ampliar o conhecimento em arte
para além da pintura e do desenho.
Nessa fase, os pequenos ainda não conseguem
construir esculturas elaboradas,
mas, ao darem forma à argila, nomeiam
o que criam – atribuindo à obra um significado – ou lidam com ela no âmbito
pré-simbólico, apenas transformando-a
em algo para ser visto.
“Aos 3 anos, as crianças prestam
pouca atenção no que os outros estão fazendo,
as atividades permitem a troca de
informações e procedimentos: uma olha
um furinho ou uma marca que o colega
faz e o imita”, diz Rosa Iavelberg, da Universidade
de São Paulo.
Referências e técnicas
Ao pegar o material, a garotada tende a
bater nele para deixá-lo plano. Raramente
se inicia espontaneamente a criação de
formas variadas – que é o objetivo do trabalho
(leia a seqüência didática no quadro
da página ao lado).
Para Marília Diaz, ceramista
e professora da Universidade Federal
do Paraná, há alguns direcionamentos
que ajudam a turma a avançar para
a produção de peças tridimensionais. O
mais indicado é mostrar referências, seja
de objetos do dia-a-dia, seja de obras de
artistas contemporâneos e populares.
As atividades certamente serão divertidas,
mas é necessário um acompanhamento
atento para evitar que a argila seja
levada à boca. Também é importante escolher
uma boa matéria-prima. Marília
lembra o risco que apresenta a vendida
em lojas de jardinagem: “Além de conter
impurezas, ela não está preparada para a modelagem infantil”. Os melhores fornecedores
são olarias e lojas de utensílios
artísticos. Para saber se ela tem boa
plasticidade, a dica é fazer uma bolinha
e colocá-la em um vidro com água. Se
demorar a desmanchar tem qualidade.
Em um primeiro
momento, o objetivo era senti-lo nas
mãos e conversar em roda sobre a origem
dele e sua utilidade. Só então começou a
modelagem. Fernanda desenvolveu uma
estratégia para deixar todos usarem livremente
não só as mãos, mas outras partes
do corpo como os cotovelos, os pés e até a
barriga para modelar. Ferramentas, como
palitos de madeira e sucatas, foram úteis
para fazer marcas pessoais.
As principais referências da turma
foram as esculturas do artista espanhol
Pablo Picasso (1881-1973), vistas na pesquisa
feita em casa, junto com os pais, e
em livros levados pela professora. Mesmo
tendo sido usado barro de diferentes cores,
foram previstas atividades de pintura
das peças com guache.
A escola agendou uma visita a um ateliê
do bairro, onde todos conheceram o
processo de produção de cerâmicas, desde
a modelagem feita em tornos até a queima
em forno de alta temperatura. “As
crianças conversaram com os artesãos,
viram outras peças e assim ampliaram
ainda mais o repertório”, avalia Carla
Abreu Gorga Guimarães, coordenadora
pedagógica da Alfa. O projeto terminou
com a exposição dos trabalhos.
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