Amar uma criança, é saber dizer NÃO

Depois de uma geração que tudo permitia aos filhos, agora educar é saber impor limites. Você pai e mãe da virada do milênio, sabe quanto está dificil educar filhos. Dizer não é um desafio que está além das forças e convicções de muitos pais e mães.

Estudos afirmam que desde os primeiros meses de vida dos bebês os pais devem estabelecer claramente certos limites. Pais que se recusam a dizer não nos momentos apropriados, estão roubando de seus filhos a capacidade de exercitar suas emoções. Cabe aos pais escolher a hora de dizer não. Espancar ou impor castigos físicos é, um comportamento absurdo e inaceitável nos dias de hoje. "Mas um tapinha simbólico, bem de leve, num momento de birra, pode ser uma atitude saudável dos pais". Os pais que dizem sim o tempo todo, para não passar de autoritário, estão criando uma situação fantasiosa e perigosamente distante da vida real. Frustração, raiva, ódio, disputa e privação fazem do aprendizado de uma criança um tanto quanto o amor, o carinho e o afeto que ela deve receber dos pais.

Os pais dos anos 90 estão empenhados em buscar um ponto de equilíbrio entre a Autoridade opressiva e a noção de liberdade sem fronteiras. É perigoso ser sempre muito claro e até intransigente quanto às regras e condutas a ser seguidas. Os pais devem estimular seus filhos a fazer coisas novas, mas antes é necessário ter certeza de que o filho é capaz de respeitar limites.
Como tudo na vida, impor limites é também uma questão de bom senso. Castigo e reprimendas não têm utilidade alguma se na relação entre pais e filhos também não houver diálogo, compreensão, amor e carinho. Quando se diz não, é preciso explicar claramente por quê. As vezes um choro, ou uma bagunça exagerada, é apenas um pedido de ajuda do filho; nessas situações, as crianças pedem limites, se os pais cedem, elas ficam sem parâmentros para a vida. Proibir tudo sem motivo pode frustrar a criança; só use o não quando for realmente necessário. Muitos pais não conseguem dosar direito essa fórmula. Geralmente começam a ceder quando o filho ainda está no berço. Aos poucos, perdem o pé da situação, criando em casa um pequeno déspota. Muitas vezes o resultado dessa ausência de limites só aparece na escola, ocasião em que a criança começa a dar sinais de problemas emocionais. É comum os pais não terem a menor idéia do que se passa com os filhos. Muitas vezes a criança têm sérios problemas para encarar as mais básicas regras do convívio social. Os casos incluem desde dificuldades de concentração a atenção na sala de aula, até a indisciplina, e mais tarde o uso de drogas. A ausência dos pais na educação dos filhos é responsável pelo aumento da clientela em consultórios psicológicos. Os pais preferem pagar para que seus filhos resolvam essas questões em consultórios, em vez de assumir eles próprios a tarefa de ajudar. Portanto, é crucial a integridade; o filho deve identificar coerência nos conselhos e orientações que recebe, os pais não podem ensinar uma coisa e fazer outra muito diferente. É preciso também haver afinidade entre as orientações dadas pelo pais e pelas mães.

Educar sempre envolveu erros e acertos. Nenhum pai ou mãe tem a receita infalível para transformar os filhos em pessoas felizes e bem sucedidas. Por melhor que sejam as intenções, não podem abrigar os filhos a ser exatamente o que eles querem. A única receita segura, é fazer tudo com amor e carinho; pois a pior coisa que pode acontecer com uma criança, é ser deixada à própria sorte. Por isso, a qualidade do tempo em que a família passa junta é muito importante; pois pais cansados e sem paciência não ajudam em nada; e pais com sentimento de culpa não conseguem impor limites, nem dizer não.

Teste: "Você sabe dizer NÃO a seu filho?"
1- Na hora de estabelecer regras em casa você:
a) é severa e exige disciplina o obediencia (2)
b) conversa e explica o por quê de cada uma (3)
c) não define nada e permite toda a liberdade (1)

2- Na sua casa, criança tem de ir para a cama:
a) às 8 da noite impreterivelmente (2)
b) numa mesma hora durante a semana e um pouco mais tarde no fim de semana (3)
c) na hora em que ela estiver com vontade (1)

3- Seu filho passou a tarde na casa de um amigo. Na hora de ir embora, ele teima em ficar mais um pouco. Você:
a) acaba cedendo porque ele é insistente (1)
b) nunca cede, até ele aprender a obedecer (2)
c) concorda ou não, dependendo da ocasião (3)

4- Você deu uma palmada merecida em seu filho. Pouco depois, você:
a) sente culpa (1)
b) tem certeza absoluta de que está sempre com a razão (2)
c) às vezes percebe que se excedeu e sente-se mal (3)

5- Você chega em casa depois de um dia exaustivo e seu filho pede para brincar com ele. Você:
a) diz que está muito cansada, que já está tarde e vocês dois precisam dormir (2)
b) brinca com ele, para compensar o longo tempo passado fora de casa (1)
c) brinca um pouco e não deixa passar a hora de dormir (3)

6- Numa grande loja, seu filho pede um brinquedo caríssimo. Você diz não, ele chora, faz um escândalo. Sua atitude é:
a) dar logo o brinquedo para se livrar da situação embaraçosa (1)
b) não dar de forma alguma, para não ceder à chantagem (2)
c) tentar convencê-lo de que, no momento, você não pode comprar algo tão caro (3)

7- Você sai sozinha com seu marido:
a) sempre que ele tem tempo (3)
b) nunca, isso é absolutamente impossível (1)
c) em ocasiões especiais,como no aniversário de casamento (2)

8- Fazer seu filho tomar banho ou escovar os dente costuma ser:
a) fácil e corriqueiro (2)
b) muito difícil, sempre uma luta (1)
c) às vezes tranquilo, às vezes trabalhoso (3)

9- Em sua casa há só um aparelho de TV. Você e o seu marido querem assitir ao telejornal; as crianças, ao desenho animado. Prevalece o pgrama:
a) escolhido pelas crianças (1)
b) de um ou de outro, dependendo da negociação, em que os dois lados cedem alguma coisa (3)
c) escolhido pelos pais (2)

10- Ao preparar as refeições de seu filho, você:
a) coloca bastante verdura e legumes e o obriga comer, pois isso é fundamental para sua saúde (2)
b) faz batata frita, salsicha e tudo o que ele gosta, o importante é que ele se alimente (1)
c) procura variar bastante os pratos, para que ele se alimente de forma balanceada (3)

Resultado
Veja se você sabe equilibrar os direitos e deveres de seu filho.

Maior incidência de (1)
Concordar com tudo não é o melhor recurso para se sentir mais amada por seu filho. Dessa forma você vai ensinar-lhe que insistindo a gente consegue qualquer coisa, certa ou errada.

Maior incidência de (2)
A eterna intransigência também é um caminho inadequado. Se exigir mais do que a criança pode cumprir, você vai transformá-la em uma pessoa frustrada, com uma auto-imagem deturpada.

Maior incidência de (3)

Nem sempre é facil saber qual o momento de dizer sim ou não. Avaliar cada caso é a melhor saída, sempre tratando a criança com sensibilidade e atenção. Estabelecer os limites com clareza e aplicá-los conforme a situação, com firmeza ou tolerância; eis um relação mais saudável com seu filho.


Escrito por Joyce Regina Franco, psicóloga clínica.

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